terça-feira, 18 de janeiro de 2011

POEMAS

(Roni Moraes)
GRAFIA

Uma folha seca
beija meus sapatos sujos,
 traz seu colo para as estações
e junto a outras mais
 escrevem pelo chão o outono.

Escrevem tantas lembranças
de rostos lavados de verão
que delas ouço uma voz
me habitando...habitando
de seu profícuo desvão

ARCO SOLAR

teu sorriso me abriu um sol
que alado posto em minhas mãos
tingiu minhas roupas de calor.

teu olhar de labareda
me acendeu uma rosa no peito
e seu vermelho ilumina o ar úmido
que escorre do telhado

não sismo ser inverno
enquanto esse gosto de sol
do teu sorriso, por si só,  já ser
o sabor  intrínseco desse verão

FLOR E SER

uma flor  me flecha os olhos
com sua cor vibrante.

continuo a olhá-la admirado
como no fundo dos teus olhos olho

vejo a flor e ela me vê em seu silêncio!
eu vejo rio ir nunca chegar
– se do outro só tenho mesmo talvez -
Vejo tudo sigo sempre em frente
 de rente em mim para dentro
Nu antro
No cerne
Nu centro

NOTÍCIA FRIA

um lago largo nos separa
uma lua breve nos acompanha
um sino toca a despedida
lambe o rio uma brisa áspera

ouço mouco no som dos bambuzais
um som a reverberar
talvez ele seja em meu peito
talvez seja lá fora
esse rangido despedaçado
esse pedido desfeito
esse poema inacabado

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