Uma folha seca
beija meus sapatos sujos,
traz seu colo para as estações
e junto a outras mais
escrevem pelo chão o outono.
Escrevem tantas lembranças
de rostos lavados de verão
que delas ouço uma voz
me habitando...habitando
de seu profícuo desvão
ARCO SOLAR
teu sorriso me abriu um sol
que alado posto em minhas mãos
tingiu minhas roupas de calor.
teu olhar de labareda
me acendeu uma rosa no peito
e seu vermelho ilumina o ar úmido
que escorre do telhado
não sismo ser inverno
enquanto esse gosto de sol
do teu sorriso, por si só, já ser
o sabor intrínseco desse verão
FLOR E SER
uma flor me flecha os olhos
com sua cor vibrante.
continuo a olhá-la admirado
como no fundo dos teus olhos olho
vejo a flor e ela me vê em seu silêncio!
eu vejo rio ir nunca chegar
– se do outro só tenho mesmo talvez -
Vejo tudo sigo sempre em frente
de rente em mim para dentro
Nu antro
No cerne
Nu centro
NOTÍCIA FRIA
um lago largo nos separa
uma lua breve nos acompanha
um sino toca a despedida
lambe o rio uma brisa áspera
ouço mouco no som dos bambuzais
um som a reverberar
talvez ele seja em meu peito
talvez seja lá fora
esse rangido despedaçado
esse pedido desfeito
esse poema inacabado