quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Macapá, 17 de fevereiro.Eram quase quatro da manhã. Eu estava sem sono e com um compromisso que me martelava: meu amigo Alan Cunha, professor/pesquisador, músico autodidata de singularidade e sensibilidade musicais, em uma daqueles encontros que a gente faz para além de reunir os amigos, ele tocou a harmonia e solfejou uma melodia de uma música que havia iniciado aquela manhã. Cheguei em casa e esbocei algo que só nesta madrugada acabei. Ainda não se tem um nome. Aguardem.



Entrenó meu passado se espraia
Entre vírgulas adjetivos e fatos
Com um toque de veneno e faias
Virgulinos, capangas e macacos
Agora olho para você
Enquanto lhe digo e calo
Com meus olhos de seiva
E os seus de João de Barro
Entre eles lágrimas e estrelas
O riso rente ao suspense se cola
Armorial prata de lua festejas
De chão e de pó e mão na viola
Agora olho para nós
Enquanto lhe toco e ardo
Com mãos de lavrador
E coração bardo
É este o limiar da eternidade
Desejar o para sempre, se ver nele
Se for tocado pelos germes da idade
Ensaiar um drama cordial na pele
Agora olho para mim
Enquanto me assomo e sigo
Com meu corpo de terra
Nos seus olhos de infinito

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